Que seria a sociedade sem ti? Seria um viver monotono um viver sem delicias!
A mulher é a rosa que sobresahe virente no centro dos folguedos. Seus languidos olhares dão-lhes alma e suas meiguices mimo: suas fallas dictadas pelo instincto forte do sentimento deleitam-nos na escandecencia das frágoas, e o sorriso modesto onde se póde soletrar a sua bondade angelica, arrebata-nos, attrahe-nos ao borbulhar das festas.
Não fallo da mulher prosaica porque é um ente nullo, ama porque ouviu dizer que se amava; ama{16} só com o intuito de ter um escravo dos seus caprichos e um alvo dos seus sarcasmos!
A mulher prosaica é o escarneo da vida. D'essa não fallo eu. Fallo da mulher que sente e comprehende essa paixão e que é o termo dos vôos do nosso pensamento, e a paragem da mente embriagada do poeta, quando vaguêa escandecida por entre milhares de illusões;—que é o elo mais forte que vincula a sociedade.
Fallo da virgem que na manhã da vida, na maior influencia d'um baile, tranzida, por uma saudade amarga, entristece e se lhe pendura na palpebra uma lagrima que de repente se some, abafando um ardente suspiro que lhe fugira do coração.
Da mulher que no madrugar d'um dia formoso pára e scisma, contemplando a natureza, e junta aos hymnos que as aves elevam ao seu criador uma prece cheia de sentimento,—uma oração que os anjos lhe vem colher!
Esta mulher é um beijo do Criador;—é a corda mais afinada da lyra dos anjos.
Assim é! Pergunte-se ao filhinho que desabrochou no regaço de sua mãe; acalentado e acariciado pelos seus mimos, se póde haver no mundo amor que iguale os desvelos e cuidados de mãe!
Pergunte-se ao esposo, que levado por uma affeição sincera e pura, escolheu uma mulher para companheira da sua vida, se não encontra um balsamo{17} consolador para as suas dôres e procellas da vida, nas fallas e conselhos d'essa mulher!
Pergunte-se ao mendigo, coberto de miseria e corrido pelo infortunio, se jamais pediu a uma mulher que lhe mitigasse a sua dôr sem que lhe ella recebera os ais no coração, e lhe minorasse as mágoas e privações que lhe vão gastando a existencia!