A mulher poetica é uma viçosa grinalda, cujas flores foram colhidas por Deus e entrelaçadas pelos anjos!
É o campanario que a fallar-nos de longe, nos inspira um sentimento religioso!
É o raiar d'um dia formoso trazendo-nos no canto das aves, e nos raios do sol que vem trepando os montes, felicidade e poesia ao coração.
Deus na sua poderosa e immensa criação, copiou 'neste ser a bondade que os anjos teem,—engrinaldou-o com as odoriferas flores do Paraiso, pousou-lhe sobre a fronte uma corôa de virtudes, e entornou-lhe no coração todo o amor de que encheu a natureza.
Que poesia nos não inspira uma lagrima a marejar nos olhos d'uma donzella?!
É o nectar do seu coração que se nos vem mostrar languido e puro, sulcando-lhe as faces purpurinas do seu rubicundo rosto.
É uma gotta do lindo orvalho da manhã, pousado no calix d'uma rosa, que a buliçosa brisa,{18} com seu suave balancear, pendurou em suas viçosas e escorregadias folhinhas.
A mulher é o sanctuario do coração do poeta, o asylo dos vôos da sua imaginação, a inspiração das suas trovas, e a delicia da sua vida.
Consulte-se cada homem que tem amado, e ver-se-ha o que diz. Quando a alma se lhe dilata a receber um supremo gozo, ou quando se lhe comprime por algum atroz soffrimento, a primeira idêa que lhe assalta a imaginação, é ter junto a si a mulher que ama, para que ambos partilhem igual sentimento.
Escute-se a lyra d'um bardo, traduzindo-lhe os sentimentos affaveis do seu coração em melodiosos sons, arrancados por sua incerta mão..................