QUINTA CONFERENCIA
12 de julho de 1891
Entramos no seculo XVI. Resplendia elle, e corria seu primeiro anno, o de 1500.
Devia, com certeza, ter-se fundamente impressionado a Europa com as novas continuadas de expedições effectuadas por hespanhóes e portuguezes em mares nunca até alli devassados, e descobrimentos de terras inteiramente desconhecidas.
Portugal começara ao principiar o seculo XV. Unica nação persistira, durante elle, em aprestar e atirar ao oceano uns apoz outros navios. Tinha conseguido desencerrar os segredos dos mares; tinha conseguido dissipar os terrores da zona[{138}] torrida, corrido a costa d'Africa para o sul, dobrado—primeiro povo—a linha equinocial, e attingido e reconhecido emfim o Cabo da Boa-Esperança, ao sul, aos 34 gráos de latitude. Abrira, portanto, o commercio da Guiné e da Mina, e avassallara as copiosas ilhas, que desde os Açores ramalhetam o Atlantico, em ambos os hemispherios. Hespanha começara, em 1492, á explorar continentes novos, sob a direcção de Christovam Colombo, e alcançara no curto espaço de oito annos penetrar no mar das Antilhas, dominar importantes ilhas e avistar a terra firme do Pariá e Venezuela.
Estaria só á Hespanha e á Portugal destinada a gloriosa tarefa de retalhar os mares, deparar terras novas, aperfeiçoar as sciencias mathematicas e physicas, abrir relações commerciaes com povos desconhecidos? E o que é mais, gravar na historia universal as paginas mais deslumbrantes e proveitosas para a civilisação e a humanidade?
Certo é que, á excepção de Inglaterra, que em 1497 fixara marcos de posse na costa[{139}] Norte-Americana, graças ás ousadias dos Cabotos, mas que ahi parara, nada mais promovendo; nem a França com seus destemidos marinheiros normandos, que durante a edade média assolavam as praias de Hespanha, Portugal, Napoles e da Sicilia; nem qualquer outra nação européa se movia ao raiar do seculo XVI, primeiro dos tempos chamados modernos, á seguir-lhes o exemplo.
A corôa hespanhola firmara o principio de concessões á particulares que proseguissem na carreira das explorações, entendendo que era mais conveniente politica aproveitar-se dos seus trabalhos, sem dispendios, antes com vantagens para o thesouro.