E não ando todos os dias em caminho de ferro porque não posso; porque as minhas occupações públicas m’o impedem: aliás era touriste dos nossos caminhos de ferro. Isto comprehende-se da minha parte porque propugnei por estas idéas; padeci muito por ellas! muito ... e nem eu quero dizer! (Disc. de 18 de jan. de 65)
Melhor era com effeito calar tão crueis agonias, depois de obtido o effeito rhetorico; e, se podesse ter supprimido a antiphona, não teria sido muito melhor ainda?
Acima do cavallo da diligencia está o tramway, acima d’este a locomotiva, e acima de tudo o progresso! (Ibid.)
Parece inventado, e não é.
É que se chocavam singularmente os moldes da rhetorica antiga com os motivos da vida moderna. Hymnos, antiphonas, acclamações, apostrophes, madeixas desgrenhadas, olhos em alvo, palmadas sobre o coração, diziam com a antiga ideologia liberal ou democrata: diziam melhor ou peior, mas não chocavam; avaliava-se o talento, a logica natural, avaliava-se tambem a sinceridade. Mas cantar o caminho de ferro em discursos rhetoricos pareceu sempre tão ridiculo como pôr em verso as machinas febrís. Fontes introduziu na politica este genero de litteratura, romantismo bastardo parallello ao do socialista Castilho que vinha resuscitar Dellile, Gessner ou Saint-Pierre para presidirem ás lettras nacionaes. A regeneração era moralmente, intellectualmente, um rifacimento. Era-se ainda romantico, por se não poder ser outra cousa; mas de um romantismo litterato apenas, exterior, janota: romantismo de sala, que não entrava na intelligencia, conquistada já pelo utilitarismo. Todos os litteratos d’este tempo acabaram mais ou menos na Alfandega, ou no ministerio da Fazenda. Assim foi Serpa, o author de madrigaes: assim Sant’Anna; assim muitos, assim todos. A liberdade não era uma deusa, era uma menina que se namora:
Poeta da liberdade
Fiz d’esta nova deidade
A dama do meu pensar
Prostrei-me aos pés da donzella