E com este, que era o último, contou os sete passos das provas.
E logo então, aqui, surdiu-lhe em frente o vulto de face tristonha e branca, que, certo, lhe andara nas pisadas, de companheiro — sem corpo — e sem nunca lhe valer nos apuros do caminho; e tomou-lhe a mão.
E Blau Nunes foi seguindo.
Por detrás de um cortinado como de escamas de peixe-dourado, havia um socavão reluzente. E sentada numa banqueta transparente, fogueando cores como as do arco-íris, estava uma velha, carquincha e curvada, e como tremendo de caduca.
E segurava nas mãos uma varinha branca, que ela revirava e tangia, e atava em nós que se destorciam, ficando sempre linheira.
— Cunhã, disse o vulto, o paisano quer!
— Tu, vieste; tu, chegaste; pede, tu, pois! respondeu a velha.
E moveu e ergueu o corpo magro, dando estalos nas juntas e levantou a varinha para o ar; logo o condão coriscou por sobre ela uma chuva de raios, mais que como num temporal desfeito das nuvens carregadas cairia. E disse:
— Por sete provas que passaste, sete escolhas dar-te-ei…
Paisano, escolhe!
Para ganhar a parada em qualquer jogo;… de naipes, que as mãos ajeitam, de dados, que a sorte revira, de cavalos, que se cotejam, do osso, que se sopesa, da rifa… queres?