— Para tocar a viola e cantar… amarrando nas cordas dela o coração das mulheres que te escutarem…, e que hão de sonhar contigo, e ao teu chamado irão — obedientes, como aves varadas pelo olhar das cobras — deitar-se entregues ao dispor dos teus beijos, ao apertar dos teus braços, ao resfolegar dos teus desejos… queres?
— Não! respondeu a boca, por mandado só do ouvido…
— Para conhecer as ervas, as raízes, os sucos das plantas e assim poderes curar os males dos que tu estimares ou desfazer a saúde dos que aborreceres;… e saber simpatias fortes para dar sonhos ou loucura, para tirar a fome, relaxar o sangue, e gretar a pele e espumar os ossos… ou para ligar apartados, achar cousas perdidas, descobrir invejas…; queres?
— Não!
— Para não errar o golpe — de tiro, lança ou faca — em teu inimigo, mesmo no escuro ou na distância, parado ou correndo, destro ou prevenido, mais forte que tu ou astucioso…; queres?
— Não!
— Para seres ricaço de campo e gado e manadas de todo o pelo; … queres?
— Não!
— Para fazeres pinturas em tela, versos harmoniosos, novelas de sofrimentos, autos de chocarrice, músicas de consolar, lavores no ouro, figuras no mármor’… queres?
— Não!