— Pois que em sete poderes te não fartas nada te darei, porque do que te foi prometido nada quiseste. Vai-te!

Blau nem se moveu; e, carpindo dentro em si a própria rudeza, pensou no queria dizer e não podia e que era assim:

—Teiniaguá encantada! Eu te queria a ti, porque tu és tudo!… És tudo o que eu não sei o que é, porém que atino que existe fora de mim, em volta de mim, superior a mim… Eu te queria a ti, teiniaguá encantada!…

Mas uma escuridão fechada, como nem noite a mais escura dá parelha, caiu sobre o silêncio que se fez, e uma força torceu o paisano.

Blau Nunes arrastou um passo e outro e terceiro; e desandou caminho; e quanto ele andara em voltas e contravoltas, em subidas e descidas, tanto em direitura foi bater na boca da furna por onde havia entrado, sem engano.

E viu atado e quieto o seu cavalo; em roda as mesmas restingas, ao longe os mesmos descampados mosqueados de pontas de gado, a um lado, o encordoado das coxilhas, a outro, numa aberta entre matos um claro prateado, que era a água do arroio.

Memorou o que tinha acabado de ver e de ouvir e de responder; dormido, não tinha, nem susto lhe tirara o entendimento.

E pensou que tendo tido oferta de muito não lograria nada por querer tudo;… e num arranco de raiva cega decidiu outra investida.

Votou-se para entrar de novo… mas bateu co’o peito na parede dura do serro. Terra maciça, mato cerrado, capins, limos… e nenhuma floresta, nem brecha nem buraco, nem furna, caverna, toca, por onde escorresse um corpinho de guri, quanto mais passasse porte de homem!…

Desanimado e penaroso, compôs o cavalo e montou; e ao dar de rédea apareceu-lhe pelo lado de laçar o sacristão, o vulto de face branca e tristonha, que tristemente estendeu-lhe a mão, dizendo: