Dócil gente, não receia,
As iras de Portugal:
Porque nunca houve lembrança
De haver-lhe feito algum mal:
Nunca manchara seu teto…;
Nunca comera seu sal!…

E de Castela tampouco
Esperava tal furor;
Pois sendo seu soberano,
Respeitara seu senhor;
Já lhe dera ouro e sangue,
E primazia e honor!…

A dor entrava nas suas carnes…
Na alma, a negra tristeza,
Dos guerreiros de Tiaraiú,
Que pelejavam defesa,
Porque o lunar divino
Mandava aquela proeza…

Eram armas de Castela
Que vinham do mar de além;
De Portugal também vinham
Dizendo, por nosso bem:
Mas quem faz gemer a terra…
Em nome da paz não vem!

E já rodavam ginetes
Sobre os corpos dos infantes
Das Sete Santas Missões,
Que pareciam gigantes!…
Na peleja tão sozinhos…
Na morte tão confiantes!…

Mas, o lunar de Sepé
Era o rastro procurado
Pelos vassalos dos Reis,
Que o haviam condenado:…
Ficando o povo vencido…
E seu haver… conquistado!

Então, Sepé, foi erguido
Pela mão do Deus — Senhor,
Que lhe marcara na testa
O sinal do seu penhor!…
O corpo ficou na terra…
A alma, subiu em flor!…

E subindo para as nuvens,
Mandou aos povos — benção!
Que mandava o Céus — Senhor
Por meio do seu clarão…
E o — lunar — da sua testa
Tomou no céu posição…

Eram armas de Castela
Que vinham do mar de além;
De Portugal também vinham
Dizendo, por nosso bem:
Mas quem faz gemer a terra…
Em nome da paz não vem!

Esta melopéia (?), ouvi-a em 1902, sofrivelmente recitada por uma velhíssima mestiça — Maria Genoria Alves — moradora na picada que atravessa o rio Camaquã, entre os municípios de Cangussu e Encruzilhada.