IX
Minto:
apareceu, sim, mas veio de sopetão. Primeiro foi se adelgaçando o negrume, foram despontando as estrelas; e estas se foram sumindo no coloreado do céu; depois foi sendo mais claro, mais claro, e logo, na lonjura, começou a subir uma lista de luz… depois a metade de uma cambota de fogo… e já foi o sol que subiu, subiu, subiu até vir a pino e descambar, como dantes, e desta feita, para igualar o dia e a noite, em metades, para sempre.
X
Tudo o que morre no mundo se junta à semente de onde nasceu, para nascer de novo: só a luz da boi-tátá ficou sozinha, nunca mais se juntou com outra luz de que saiu.
Ainda sempre se arrisca e só, nos lugares onde quanta carniça houve, mais se infesta. E no inverno, de entanguida, não aparece e dorme talvez entocada.
Mas de verão, depois da quentura dos mormaços, começa então seu fadário.
A boi-tátá , toda enroscada, como uma bola — tátá, de fogo! — empeça a correr pelo campo, coxilha abaixo, lomba acima, até que horas da noite!…
É um fogo amarelo e azulado, que não queima a macega seca nem aquenta a água dos manantiais; e rola, gira, corre, corcoveia e se despenca e arrebenta-se, apagando… e quando menos se espera, aparece, outra vez, do mesmo jeito!
Maldito! T’esconjuro!