um dia, um gaúcho pobre, Blau, de nome, guasca de bom porte, mas que só tinha de seu um cavalo gordo, o facão afiado e as estradas reais, estava conchavado de posteiro, ali na entrada do rincão; e nesse dia andava campeando um boi barroso.
E no tranquito andava, olhando; olhando para o fundo das sangas; para o alto das coxilhas, ao comprido das canhadas; talvez deitado estivesse entre as carquejas — a carqueja é sinal de campo bom —, por isso o campeiro ás vezes alçava-se nos estribos e, de mão em pala sobre os olhos, firmava mais a vista entorno; mas o boi ]barroso, crioulo daquela querência, não aparecia; e Blau ia campeiando, campeiando…
Campeiando e cantando:
“Meu bonito boi barroso,
Que eu já contava perdido,
Deixando o rastro na areia
Foi logo reconhecido.
“Montei no cavalo escuro
E trabalhei logo de espora;
E gritei — aperta, gente,
Que o meu boi se vai embora! —
“No cruzar uma picada,
Meu cavalo relinchou,
Dei de rédea para a esquerda,
E o meu boi me atropelou!
“Nos tentos levava um laço
De vinte e cinco rodilhas.
P’ra laçar o boi barroso
Lá no alto das coxilhas!
“Mas o mato carrasquento
Onde o boi ‘stava embretado,
Não quis usar o meu laço
P’ra não vê-lo retalhado
“E mandei fazer um laço
Da casca do jacaré,
P’ra laçar meu boi barroso
Num redomão pangaré.
“E mandei fazer um laço
Do couro da jacutinga,
P’ra laçar meu boi barroso
Lá no passo da restinga.