“E mandei fazer um laço
Do couro da capivara
P’ra laçar meu boi barroso
Nem que fosso à meia-cara;

“Este era um laço de sorte,
Pois quebrou do boi a balda”…
. . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . .

No tranquito ia, cantando, e pensando na sua pobreza, no atraso das suas cousas.

No atraso das suas cousas, desde o dia em que topou — cara à cara! — com o Caipora num campestre da serra grande, p’ra lá, muito longe no Botucaraí…

A lua ia recém saindo…; e foi à boquinha da noite…

Hora de agouro pois então!…

Gaúcho valente que era dantes, ainda era valente agora; mas, quando cruzava o facão com qualquer paisano, o ferro da sua mão ia mermando e o do contrario o lanhava…

Domador destorcido e parador, que, por só pabolajem gostava de paletear, ainda era domador agora; mas, quando gineteava mais folheiro, ás vezes, num redepente, era volteado…

De mão feliz para plantar, que não lhe chochava semente nem muda de raiz se perdia, ainda era plantador, agora; mas, quando a semeadura ia apontando da terra, dava uma praga em toda, tanta, que benzedura não vencia…; e o arvoredo do seu plantio crescia entecado e mal floria, e quando dava fruta, era mixe e era azeda…

E assim, por esse teor, as cousas corriam-lhe mal; e pensando nelas o gaúcho pobre, Blau, de nome, ia, ao tranquito, campeiando, sem topar co’o boi barroso.