—Musico das duzias, estás a contas commigo. Grande marau! Has de pagar-me a partida mais cara do que ossos!
Tendo com essa fala dado vasão ao seu odio, seguiu por atalhos e alcançou a cidade mais proxima antes que o rapaz apparecesse. Uma vez lá, foi queixar-se ao juiz n'estes termos:
—Venho aqui pedir justiça, senhor, para um maroto que me atacou maltractou e roubou o que eu trazia. A prova de que não minto é olhar-me a maneira porque vem o fato e a minha cara. Forçou-me a dar-lhe a bolsa que trazia cem moedas d'ouro, que eram todo o meu peculio, as economias que consegui com o meu trabalho, o unico bem que possuia. Faça todo o possivel para que esse thesouro me seja restituido.{25}
O moço então... tocou o mais possivel...(pag. 30)
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—Foi com alguma arma que o gatuno te pôz assim?—perguntou a autoridade.
—Nada, não senhor. Agarrou-me e agatanhou-me. É ainda moço, e traz uma espingarda e um violino; com estes dados facilmente se conhece.
O magistrado pôz em campo os guardas, que depressa viram o indigitado marau, que muito tranquilamente se encaminhou para essa localidade. Deram-lhe voz de prisão e trouxeram-n'o ante o magistrado e o judeu, que repetiu a accusação.
—Não toquei n'essa creatura nem com um dedo—defendeu-se o rapaz—assim como não lhe tirei á força o dinheiro que elle trazia; offereceu-me da melhor vontade para que eu não tocasse mais no violino, cujos accordes o faziam nervoso!