Logo que pôz o pé na outra margem, o rapaz cumpriu a palavra:

—Apenas se apresente um novo passageiro para que o ponhas na outra margem, entrega-lhe os remos e sáfa-te.

Seguiu a sua róta, e depressa chegou ás portas da cidade, onde existia a arvore esteril; a sentinella aguardava o rapaz para que não se esquecesse do promettimento.

—Matem o rato que róe a raiz da arvore, se querem vêr a arvore carregadinha de maçãs de ouro—aconselhou o moço.

A sentinella, grata com a resposta, compensou-o com dois burros carregados d'ouro. Para encurtarmos razões, o rapaz nascido n'um folle depressa alcançou as portas{113} da cidade, onde havia a fonte que estava sequinha. Aqui, repetiu tambem á sentinella as palavras do diabo:

—Debaixo de uma pedra está um sapo; assim que o matarem, continuará a fonte a dar vinho abundantemente.

A sentinella agradeceu muito e, em paga, deu-lhe tambem dois burros carregados d'ouro.

O rapaz nascido n'um folle estava, d'alli a pouco, em presença da noiva, a quem abraçou, e que ficou contente em tornar a vêl-o. Foi levar ao rei os tres cabellos d'ouro do diabo; e o soberano, ao vêr os quatro burros carregados de ouro, demonstrou claramente a sua alegria, dizendo:

—Agora que satisfizeste todas as condições, tens minha filha por tua mulher. Mas dize-me, meu caro genro, como é que arranjaste todo esse ouro?{114}

—Atravessei um rio, cuja margem é de ouro, em vez de areia. Foi ahi que o apanhei.