—É muito difficil fazer egual colheita?—perguntou o monarcha, cujos olhos scintillavam de cubiça.

—É facilimo tomar tanto quanto se deseje—continuou o rapaz nascido n'um folle.—Ha um barqueiro proximo; peça-lhe que o conduza á outra margem, e d'esta maneira póde trazer os saccos que quizer cheios de ouro.

O monarcha, mordido pela ambição, depressa se pôz em marcha. Chegado á margem do rio pediu ao barqueiro para o levar á outra margem. O barqueiro apressadamente disse ao rei para entrar no barco, e assim que chegaram ao outro lado do rio, o barqueiro entregou-lhe os remos e saltou lesto para terra.

—E ainda lá está o rei feito barqueiro?—perguntarão{115} os meus amaveis e gentis leitorzinhos.

—Está e estará até que expie, por completo todas as suas culpas.{116}
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[O sapateiro e os gnomos]

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Era uma vez um sapateiro que, por vicissitudes da vida, empobreceu tanto que só conseguira comprar material sufficiente para um par de sapatos. De noite talhou a pelle para no dia seguinte os concluir; como era bom, deitou-se tranquillamente, orou e adormeceu.