A primeira penna voou para o oriente, a segunda para o occidente e a ultima volitou uns segundos e foi caír a alguns passos de distancia.

Por, isso, o mais velho tomou o caminho da direita, o do meio voltou á esquerda e o mais novinho—troçado pelos mais velhos—encaminhou-se para o sitio onde caíra a terceira penna.

O pobre moço, apoquentado e triste, deitou-se no relvado. De repente notou uma porta subterranea no logar em que a penna caíra.{129} Abriu-a e reparou n'uma escada, que se aventurou a descer. Uma vez em baixo, deu de rosto com outra porta, em que bateu. Então ouviu uma voz que—em phrase cabalistica—a mandou abrir.

Quando a porta girou nos gonzos viu-se um enorme sapo, de envolta com uma porção de sapinhos. O sapão perguntou ao rapazito o que é que desejava, ao que o interpellado retorquiu:

—Não seria facil arranjar-se um tapete bonito e finamente tecido?

Palavras não eram dictas e já o sapão gritava a um dos sapinhos, que, n'um pulo, lhe trouxesse um cofre.

O sapinho assim fez; o sapão abriu-o e tirou de dentro um tapete tão ricamente tecido como nunca no mundo se havia visto egual, com o que presenteou o rapazinho, que agradeceu muito e se pôz em marcha.{130}

Ora, os dois irmãos reflectiram de si para si que o irmão era tão palerma, que se escusavam de cançar muito para toparem com um tapete decerto superior ao que elle conseguisse.

Assim deitaram a mão ao primeiro panno de lã grosseira que uma guardadora de porcos trazia, e vieram entregál-o ao rei. Pouco depois, appareceu o irmão mais novo com o magnifico tapete.

O regio personagem, no auge da surpreza, exclamou: