—O reino pertence ao mais moço!

Os irmãos é que não estiveram pelo ajuste e observaram ao velho pae, que tal resolução era impracticavel, pois o irmão não passava de um pateta; taes rodeios arranjaram, taes razões, que o monarcha, já fatigado de tanta loquella, não teve remedio senão tentar segunda experiencia.{131}

—Será rei por minha morte aquelle que me trouxer o mais valioso annel.

Conduziu novamente os tres filhos a alguns passos distantes, do palacio e fez voar tres pennas, cuja direcção deviam tomar. Como da primeira vez, os dois mais velhos partiram para o oriente e occidente; quanto á penna do mais moço volitou tambem por segundos e foi caír d'alli a poucos passos.

Ao contrario da vez passada, o rapaz não entristeceu, mas apressou-se a descer a escada pela porta subterranea, em direcção á casa do sapão que, de chofre, lhe perguntou o que queria, respondendo em seguida:

—Não será facil arranjar-se um bonito e valioso annel?

O disforme batrachio mandou buscar o cofre e tirou-lhe de dentro um annel riquissimo, e tão artisticamente cinzelado, que ourives{132} algum do mundo seria capaz de apresentar outro do mesmo gôsto.

Ora os dois irmãos, rindo-se ao pensar que o simples mocinho havia de conseguir um annel precioso, não se deram a grandes trabalhos, certos de que se sairiam melhor do encargo do que aquelle, e assim arrancaram a primeira argola que viram presa n'uma parede e que servia para segurar os animaes, e foram ter ao palacio dál-a ao rei. O velho monarcha nem sequer teve que comparar, exclamou:

—É ao terceiro que faço rei!

Entretanto, os dois mais velhos convenceram tão bem o velho rei da nullidade do irmão que o monarcha consentiu em fazer terceira tentativa, a ultima. Decidiu-se que herdava o throno o que trouxesse a mulher mais formosa. Como das vezes passadas, as tres pennas foram deitadas ao ar e tomaram as mesmas direcções.{133}