NOTAS DO SEGUNDO CANTO.

[(Pag. 59. vers. 25.)]

Sempre verdes,
Oh Mouceaux, teus Jardins são disto exemplo.

O Jardim de Inverno do Duque de Chartres, he com effeito, hum encantamento. A estufa especialmente he huma das melhores que se conhecem.

[(Pag. 67. vers. 34.)]

Moço Potaveri, tu disto és prova, etc.

Este o nome de hum Habitante de O-taiti, conduzido a França por Bougainville, célebre pelo seu valor, e constancia em varias acções, e gloriosamente conhecido quer por Navegante, quer por Militar. O passo que se refere, do Mancebo Otaitiano, he mui notorio, e interessante. Só o que fez o Author foi alterar o lugar da Sena, que fingio no Jardim Real das Plantas. Quizera pôr em seus versos toda a sensibilidade que respira nas poucas palavras que o Moço proferio, abraçando a arvore que havia conhecido, e que lhe recordou a Patria.==He O-taiti==dizia elle==, e olhando para as outras arvores,==Não he O-taiti.==Assim estas arvores, e a sua patria se identificavão no seu espirito. Julgou o Author que este lance tão terno, e tão novo, poderia ministrar hum bello Episodio.

[(Pag. 69. vers. 2.)]

Onde he sem pejo Amor, Amor sem crime.

Observou-se em todos os Povos, onde a Sociedade tem feito curtos progressos, huma certa innocencia nos costumes, muito diversa do resguardo, e do pejo que sempre acompanhão a virtude nas Mulheres das Nações polidas. Na Ilha de O-taiti, na maior parte das outras do Mar do Sul, em Madasgacar, etc. as casadas julgão dever-se exclusivamente a seus maridos, e quebrão raras vezes a lealdade conjugal; mas as solteiras não escrupulizão em se entregar até á paixão momentanea que os homens lhes inspirão. Não se sujeitão nem nas palavras, nem nos modos, nem no vestido ao que olhamos como deveres do sexo feminino. Mas isto he nellas simplicidade, não he corrupção: não desprezão as normas da decencia, ellas as ignorão. Nestes Paizes a Natureza he grosseira, mas não depravada. Eis o que se intentou exprimir naquelle verso.