[[29]] Vid. Sr. Marques Gomes. L. c., pag. 125.
[[30]] Artigo publicado no Campeão do Vouga em 17 de novembro de 1853.
[[31]] Discursos, pag. 189.
[[32]] Discursos, pag. 274.
[[33]] Discursos, pag. 275.
[[34]] Vid. Jacintho Augusto de Freitas Oliveira, José Estevão. Lisboa, 1863. Pag. 349.
[[35]] Discursos, pag. 88.
IV
Em 1840, o oraculo mysterioso da ordem, invocado por José Estevão e interrogado sobre o numero de partidos que havia na camara dos deputados, respondeu: «No paiz ha dois partidos e duas facções, e n'esta camara um partido e uns poucos d'illudidos[[35]]».
Quem tão solemnemente lhe ouvia os segredos, estaria entre o numero dos illudidos, por decreto dos avisados e prudentes que combatia, senão até pelo reconhecimento intimo, esclarecido em repetidos desenganos. E, todavia, esse filho da illusão que como ella deveria ser innocente e ephemero, o cavalleiro phantasma que com suas correrias impetuosas surgia em meio de todas as pelejas e deveria confundir-se e afugentar-se facilmente na supposta inconsistencia do seu ser, voltava sempre, atraiçoando-a e negando-a de continuo, terrivel e audaz, renascido das tenues sombras em que o julgavamos dissipado, para semeiar o terror entre os fortes e os grandes, verdadeiros potentados da terra. Tremiam dos seus vaticinios e anathemas os que mais seguros se reputavam; e os mais frios e incredulos erguiam-se da prostração e desanimo, despertando pela harmonia d'aquella voz divina. O illudido, que pela fatalidade da sua natureza viéra ao mundo condemnado á derrota, era a cada passo o vencedor, exaltado pelo clamor das multidões, derrubando na passagem muita grandeza falsa, desfazendo idolos e reduzindo a pó mentirosas virtudes que pretendiam cobrir-se com os trajos da dignidade.