Queria confessar á mãe toda a sua vida e pedir-lhe perdão das suas culpas. Seria o primeiro passo para a regeneração e para a virtude.

—Então que me queres? resolveu-se por fim a velhinha a perguntar, vendo o silencio do filho e começando a sentir certo mysterio n'esta longa pausa.

—Eu queria, minha mãe... queria dizer-lhe... que, se fosse da sua vontade... se fosse da sua vontade... já lhe tenho dado tantos desgostos...

—Que tens tu? disse ella levantando-se ao vêr a angustia do filho. Senta-te, senta-te aqui, tu não estás bem.

Claudio sentou se e proseguiu, olhando vagamente, sem se atrever a fitar a mãe:

—Queria dizer-lhe que, se fosse da sua vontade, talvez me casasse...

—Oh! Claudio! respondeu ella abraçando-o. Deus Nosso Senhor ouviu as minhas orações...

E, nos braços um do outro, afogaram em lagrimas e soluços a agonia, dissipando-a. A confissão que havia de ser longa, encerrara-se n'estas rapidas palavras; o coração sentira o que os labios não souberam dizer.

Não tardou a resposta de Jorge.