Geralmente discutia-se a grandeza e o viver dos Albuquerques. Os commentarios divergiam.

Entre dois parentes de Vizeu sentados á sombra d'uma olaia, podia surprehender-se o seguinte dialogo:

—É uma grande casa! Vê tu que riqueza ahi está e que gente aqui vem!

—Já foi melhor. Deve muito.

—Deixa lá! Tem uma grande casa... Só em Cercosa recebe ainda para cima de cem moios de milho, fóra o trigo, o centeio, o vinho e o azeite.

—Pois sim... mas que importa isso? Á Misericordia deve perto de trinta contos e disse-me outro dia o Nunes, que é lá o cartorario, que tem mais de quatro annos de juro em atrazo e é uma cruz para lhe apanhar um vintem. Só quando estão ameaçados de qualquer penhora é que se mexem. Olha que ha mais de quarenta annos que este homem não faz senão gastar dinheiro!...

—Mas a casa é muito grande, tem muitos recursos. Quanto não vale isto aqui? e os bens de Pombal?

—Está tudo hypothecado ao Credito Predial e quem lá vae é alma que caiu no inferno. Não se sae de lá mais. Lembra-te do que aconteceu ao marquez de Cannaes. Foi tudo! Ficaram sem nada!

—Mas agora tem os genros para o ajudarem...

—Só se fôr isso!... Este rapaz dizem que tem boa casa.