Mais adeante, dois lentes de direito, passeiando de braço dado á beira do lago, commentavam differentemente, em tom malicioso.
—Hein!? Que sorte! Dá cabo da fortuna dos paes, refresca com o casamento, arruina-se outra vez, e agora casa as filhas ricas.
—Elle merece-o, que nos tem dado muito boas festas. Não ha ninguem para receber como este homem. Nasceu para isto!... Acabou-se.
—Mas não podem ir longe... Já por ahi ha procurações para penhora, vindas de Lisboa, sem conta.
—O que eu admiro é como este rapaz aqui veiu cair. Foi meu condiscipulo e era o avêsso de todas estas cousas. Retraído, muito modesto...
—Então?! Está rico, quiz afidalgar-se...
—Não, não é este homem d'isso. Gostou da rapariga, os paes haviam de lh'a metter á cara, e caiu.
—Pois olhe que, se elle é como você diz, não me parece que vá lá muito bem. Esta gente gosta de gastar e de luxar.
—Não, não! A Laura é muito boa menina!
—Boa!... Historias! As meninas são todas boas, mas, quando se habituam a viver á larga, não ha quem as ature. Isto de fidalgos é muito boa gente para gozarmos com elles; de portas a dentro o caso é outro.