D. Maria Francisca, porém, é que não desanimava, posto que pelo silencio do genro ficasse suspeitando de que elle não acceitava o conselho. Á noite, conversando n'um pequeno grupo em que se encontravam Laura e Claudio, julgou conveniente repetir a instancia mas d'esta vez levando-a por outra via.

—Hoje, dizia para a sua velha amiga D. Maria do Amaral, já não ha nem póde haver casas nobres. Vem as partilhas e não ha fortuna que lhes resista. A abolição dos morgados acabou com toda a fidalguia que fazia tanto bem. Desgraçado de quem tem mais do que um filho!

—Pois o meu desejo é ter vinte, apressou-se Claudio a responder bruscamente, não tentando dissimular a sua irritação Que trabalhem! Foi assim que fizeram meus paes. Deus me livre de gente vadia!

Laura córou e D. Maria Francisca respondeu:

—Crédo! Que ideias! Nem parecem d'um rapaz fino como Claudio!...

A conversação ia visivelmente azedar-se e D. Maria do Amaral, com o fino tacto que adquirira na sua vida de mundanismo fidalgo, accudiu a interrompel a:

—Olha que o sr. Soares não tira os olhos de nós, disse para D. Maria Francisca. Está á nossa espera para a manilha; lá entende que por ser dia de festa não ha-de ficar sem partida.

E todos se levantaram.

—O meu Claudio, veiu dizer Laura ao marido quando mais tarde se recolhiam aos seus aposentos, foi hoje muito mau. Não gosto de o vêr assim. Fico muito zangada.

—Porquê?