—Bom dia, minha rola!
—Que madrugada!... Quando saí, olhei lá para casa e vi tudo socegado. Pensei que ainda estivesse a dormir.
—Não, não dormi bem. Dize-me uma coisa, perguntou abruptamente: Quando é o teu casamento?
—Para a semana dos nove dias.
—Mas aquelle rapaz que hontem passou por nós, quer casar comtigo...
—Quer... mas eu por emquanto é que não quero casar-me. Já lh'o disse.
Para Claudio estas palavras foram um completo allivio.
Restituiam-lhe Maria, restituiam-lh'a pelo menos para a sua admiração, para na sua singeleza reanimar a alma enferma de cogitações e contrariedades. Agradeceu-lh'o com um olhar, sem se atrever a uma confissão em que temia manchar a candidez dos seus sentimentos, e voltou a casa alegre e repousado, cantando, a cuidar dos gados.
Continuava o idyllio, as palestras com Maria e o trabalho na lavoura. Sentia-se vigoroso e forte; nenhumas fadigas o alquebravam. Pela madrugada estava a pé, distribuindo o penso aos gados. Almoçava um pedaço de brôa com um ligeiro condimento e vinha para o campo. Não havia já serviço de que não fosse capaz; tudo estava em o saber distribuir e alternar. Prendia-se á terra com um amor febril, talvez n'uma vaga ambição de igualar Maria e por isso melhor a merecer. A rapariga estranhava todos os devaneios de Claudio, perguntava-lhe se não era melhor viver na riqueza, mas sorria perante as razões que elle lhe dava e que despertavam no seu coração um impulso de meiga sympathia.
Um dia, Claudio veiu para o trabalho sem ainda ter visto Maria. Algumas vezes isso lhe acontecia mas sempre o deixava aprehensivo e triste; então, o trabalho caminhava lento, os braços a custo podiam com a enxada. Era mal sem remedio; a mãe de Maria é que distribuia o serviço e nem sempre podia saber antecipadamente em que se consumiria a manhã.