—Suba, suba, respondeu Claudio, mostrando-se risonho e despreoceupado. Então já não quer nada com esta casa?
O dr. subiu.
—Como encontrou o doente? perguntou Claudio.
O dr. Carvalho explicou então em termos da sua arte, para mostrar saber, que o velho tinha grandes melhoras. Recuperára os sentidos, percebiam-se já alguns movimentos, e quando em tão poucas horas se apresentavam symptomas d'aquella importancia, d'ordinario a salvação era certa. Não dizia que tornasse a ser homem para o trabalho, mas esperava pól-o a pé. Ainda ha pouco tivera, em Aradas, o Gusmão n'aquelle mesmo estado. A mesma cousa, exactamente a mesma cousa! Viera o dr. Madail, que é lá muito de casa de seus sogros e que se tem por um chavão, dizia, e foi de parecer que não merecia a pena tratal-o.
—Pois, meu amigo, tomei conta do homem e já corre a casa toda, encostado a uma bengala!
—Deus queira que o mesmo lhe aconteça aqui, respondeu Claudio.
Interiormente sentindo grande allivio com as palavras do medico, para não revelar uma insistencia que poderia tornar-se suspeita, mudando rapidamente de conversa, perguntou:
—E por Albergaria que ha de novo?
—A mesma paz podre. O dr. não quer nada comnosco. Tem razão e... bom gosto. Está por aqui muito entretido, respondeu o Carvalho atrevida e maliciosamente, batendo com a mão no hombro de Claudio e sorrindo-se.
Claudio percebeu a allusão. Tremendo da conversa, apressou-se a cortal-a.