Não se enganava. Claudio admirou a sua gentileza; intimamente fazia confrontos entre as senhoras da villa. Emilia era decididamente a unica com educação. Fina, muito fina! concluia no seu juizo.

Pelo seu lado, procurava tambem não decair no conceito da sua amada e pedia-lhe agora desculpa da pobreza da carruagém. Uma grande falta de recursos para fazer alguma cousa em termos! Tinha procurado um breack decente, mas nem em Coimbra o poude arranjar. Uma miseria! Vira-se obrigado a remediar-se com aquelle que ali estava e os seus cavallos. Se continuasse por ali, porque pensava em se estabelecer definitivamente em Albergaria, havia de comprar uma carruagem propria para aquelles passeios.

Eram quasi sete horas quando appareceram as Silvas, acompanhadas d'uma creada ofegante, com uma pequena cesta á cabeça.

—Ah! disse a mais velha, julguei morrer! Que estafa! Mas a culpa não foi minha. A mana não quiz vir sem trazer um bolo de sete cantinhos,—é muito bom, é ainda feito por uma receita que nos deu a D. Adelaide Saldanha,—e aquelle forno é um castigo. Primeiro que aqueça...

—Ora v. ex.a a incommodar-se... interrompeu Claudio.

—Deixe lá, deixe lá, disse o dr. Carvalho, que mostrava com ellas grande confiança, quem corre de gosto não cansa. E visto que foi para nosso regalo, havemos logo de lhe fazer uma saude. Olhe, já ali vão,—e apontava para o cesto das garrafas.

Recolheram-se todos á carruagem que partiu, oscillando ao sair o portal. O reitor e Ricardo tomaram logar ao pé do cocheiro.

—Vamos aqui melhor, dizia o Ricardo para o reitor, escusamos de aturar senhoras. É bom para o Maia que está novo e o Carvalho tambem... chega-se muito para as Silvas. É menino! Eu cá já não faço versos. Tomára eu mas é o almoço. Parece-me que já ia.

—O sr. tambem está sempre com essas cousas! Ora não seja má lingua... dizia o reitor.

Ao passarem na botica, estava o boticario á porta a conversar com o regedor do Sobral.