—Bravo, bravo! exclamava o doutor, sonhando aventuras. Gosto de gente assim.

Claudio tinha-se levantado e, apoz elle, toda a companhia. Eram horas do almoço. Voltaram á casa do cantoneiro, seguindo o mesmo caminho por que tinham vindo.

A mesa estava posta n'um sitio ensombrado, o reitor já tinha lido os seus jornaes e contava pormenores d'um crime praticado no Poço do Bispo ao Ricardo que passeiava impaciente em frente da mesa, olhando sempre o carreiro por onde os companheiros tinham desapparecido.

Um pouco acima, encostada a uma canastra, uma creada adormecera.

—Olá, seus mandriões, gritou o dr. Carvalho dirigindo-se ao reitor lá do outro lado do monte.

—Vivam, vivam, respondeu o Ricardo. Já cá tardavam.

A mulher accordou.

—Muito moida, tia Venancia? perguntou o reitor.

—Sai de Albergaria ainda era noite. Já vinha ao pé do Hospital quando bateram tres horas, respondeu a pobre mulher.

O almoço começou quasi em silencio. Todos tinham estranhado a madrugada e o passeio; o calor e a fome acabaram de os alquebrar. Sentia-se a moleza e o cansaço. Só o dr. Carvalho resistia, sempre alegre e palrador. Estava habituado a não ter horas para dormir nem para comer; os doentes é que mandavam. Estranhava a Claudio o luxo com que tratava os seus convivas, que não era preciso; até as taças para o champagne tinha mandado vir. Um copo para cada um era quanto bastava.