—Principalmente para o Ricardo!... Um só e grande, segredava maliciosamente.
Pouco a pouco a animação ia surgindo, na excitação dos vinhos e das viandas; a conversação tornava-se continua, entre o bulicio da baixella e o riso dos convidados, cada qual elogiando o prato que melhor lhe convinha ao paladar e todos louvando Claudio.
—É um cavalheiro, um cavalheiro, dizia Ricardo, o prato coberto com uma enorme fatia de fiambre e lançando a mão a uma farta garrafa de Collares. Eu cá vou andando com este, não sei que graça acham a essas limonadas!
E apontava os vinhos do Rheno.
Estavam chegados ao champagne. As rolhas voavam entre os gritos das Silvas que com grandes gestos defendiam os olhos. O dr. Maia, que ha muito se calara ruminando o discurso, levantou-se para beber á saude de Claudio.
Não eram palavras banaes as que queria dizer; pretendia fazer um discurso que impressionasse os ouvintes e particularmente a mais nova das Silvas para quem começava a olhar como uma noiva possivel.
«—Minhas senhoras e meus senhores...»
—É muito amavel, não se esquece das senhoras, disse sorrindo com ironia o dr. Carvalho para a Silva que estava ao lado d'elle; e atrevidamente chamava a sua attenção, batendo-lhe com a mão no joelho, por baixo da mesa.
«Não era á minha humilde e obscura personalidade, não era a mim que sou um forasteiro n'estas terras e tão pobre de dotes de eloquencia, que competiria talvez saudar o nosso generoso amphytrião; mas a profunda estima e consideração que tenho pelo illustre doutor Claudio obrigam-me a levantar a minha fraca voz n'este concerto de bellezas da natureza, de illustrações e de formosuras que tocam o nosso coração...»
—Toma, diz em segredo o Carvalho para a Silva, aquillo é com a mana. A menina é que não apanha nada. Só se fosse um beijo que eu lhe désse!