—Não seja atrevido!
—Não seja má. E bateu-lhe novamente com a mão no joelho, procurando ajuizar da perna.
«O dr. Claudio, meus senhores, a cuja amabilidade devemos as boas horas que temos passado aqui e que jámais esquecerei, não é um homem vulgar. Tem seguido a evolução da sciencia e está ao par das modernas descobertas da sociologia. Eu que deixei ha pouco os bancos da universidade, não posso acompanhal-o nos arrojados vôos do seu estudo mas comprehendo a sua bella orientação positivista...»
E continuou assim fazendo o elogio de Claudio, até se lhe esgotar a provisão de banalidades que tinha adquirido em Coimbra. Ao fim, sentou-se vaidoso, procurando adivinhar a impressão que tinha deixado nos ouvintes.
—Muito bem, muito bem, sr. dr. Maia, disseram de differentes lados da mesa.
A Silva disse-lhe tambem em voz branda:
—Gostei muito de o ouvir, falla realmente muito bem.
—Não, minha senhora, isso é muita bondade de v. ex.a Não tenho tido uso. Aqui, na comarca de Albergaria, o movimento é pequeno e com estes jurados analphabetos não vale a pena estudar.
—Oh! não esteja com modestia... eu reparei que todos o estavam ouvindo com muito agrado. Na provincia é tão raro encontrar alguem que saiba fallar...
O reitor contava ao Ricardo dos prégadores que tinha ouvido. O melhor era o Alves Mendes. O que eu admiro, dizia, é a memoria que elle tem para metter aquillo tudo na cabeça!