Claudio estava embaraçado. Não contava com o discurso e percebia que os convivas esperavam a resposta.

Interiormente sentiu um momento de enfado que attribuia á impertinencia do dr. Maia, mas que de facto vinha do risco, que corria, de desmerecer no conceito de Emilia, a seus olhos supremo juiz do bom gosto.

Durante alguns minutos pensou no que iria dizer; depois, como impellido por uma subita resolução, levantou-se e disse:

—Agradeço as immerecidas palavras do sr. dr. Maia, que por certo foram dictadas pela consideração que me dispensa e não pelo que realmente valho. Entre aquelles que me honraram acompanhando-me n'este passeio, não quero fazer senão uma unica distincção, aquella que de justiça é devida. Saúdo de todo o meu coração as senhoras que com a sua formosura, o seu espirito e a sua gentileza generosamente nos déram estas tão breves horas de alegria!

—Vivam, vivam! Á saude de vv. ex.as! D. Emilia... D. Maria.

E todos beberam.

Claudio bebeu tambem, olhando Emilia. Era a ella que se dirigia e era a admiração pela sua graça que o inspirára.

—Foi pena ser tão pouco, disse o reitor para Claudio, sollicitando um discurso.

—Não perderam nada. Não sou orador. Isso é aqui para o nosso dr. Maia.

Os brindes não tinham fim. Cada qual bebia pelas pessoas das suas relações e o dr. Carvalho, que o calor do banquete tinha excitado, voltando-se para a Silva, disse-lhe quasi em segredo: