Saindo de casa do dr. Carvalho, Claudio dirigiu-se á repartição de fazenda, á esquina da rua da Cruz.

O seu desejo era ir immediatamente a casa de Emilia, mas já desconfiado, procurando evitar toda a suspeita, com a astucia vulgar dos namorados que a ninguem illude senão áquelles mesmos que a usam, foi primeiro procurar o Ricardo para fazer crer que o interesse e a amizade se estendiam a toda a familia.

O Ricardo, mal o viu, levantou-se logo.

—Como está v. ex.a tem passado bem? perguntou muito respeitoso, afastando a cadeira com ruido e atirando apressado o cigarro para o escarrador.

—Um pouco incommodado; foi por isso que voltei mais depressa.

E reeditou a velha historia da Matta, da bronchite e do medico que só ao fim de vinte dias o deixava continuar a tomar banhos.

—Ora muito sinto, muito sinto, repetia Ricardo, procurando dar á voz uma intonação magoada.

—E em sua casa, a sr.a D. Emilia e os pequenos como vão?

—Muito obrigado, os pequenos optimos, cada vez mais travessos; a Emilia é que não tem passado bem, com uma grande falta de appetite e muito fraca. O dr. Carvalho já lhe receitou uns granulos de quassina e de arseniato de strychnina, mas ella teimou em não tomar nada. Que está bem, que está bem, que não precisa remedios... Deus queira que não me dê ainda alguns trabalhos!

—Eu hei de ir vêl-a, disse Claudio mostrando desprendimento mas intimamente ancioso.