O Maia, porém, não se assustava com isto; já conhecia alguns casos mal parados de investigação de paternidade illegitima que o affoitavam, quasi se sentia tentado com a demanda para dar largas á sua actividade profissional, e conhecia o processo por que ordinariamente estes terminam casos.

O rapaz não tinha dinheiro para custear o pleito e viria a uma conciliação, contentando-se com uns magros contos de reis.

Na verdade, esse grupo que vinha estrada acima cantando louvores á natureza,—a tarde estava lindissima! não se cansavam de repetir,—cuidava apenas de amores.

O Maia procurava mulher e fortuna; Claudio contemplava a sua Emilia; a Silva, a mais velha, que dizia agora que não se queria casar porque não estava para aturar homens,—queria a sua independencia!—a cada instante olhava para traz, a vêr se descobria o dr. Carvalho que tinha ido á Varzea visitar os doentes, e a mulher do Carvalho, que andava muito inflamada em ciumes, vinha guardando a amante do marido.

Pararam na praça. Havia alli um grande ajuntamento, em volta d'um trapezio erguido no meio da calçada e tapetado em baixo com immundos farrapos.

No trapezio estava sentado um homem magro, as faces cavadas, vestido d'uma desbotada malha côr de rosa, calçado de cothurnos brancos; em baixo, de pé, uma mulher, tambem vestida côr de rosa, saia curta, coberta de lantejoulas que se estendiam em arabescos pelos hombros, levantava do chão uma creancita magra, longos cabellos louros e olhos azues, e arremessava-a ao homem do trapezio. A creancita, voltando-se no ar, soltava um grito agudo e o homem recebia-a nos braços.

Claudio voltou-se constrangido, para não presencear este quadro de miseria, e, ao lado d'elle, uma rapariga do povo, que era linda, voltou as costas tambem.

—Credo, Virgem Nossa Senhora, nem quero vêr! disse ella.

—Eu tambem não gósto, respondeu Claudio.

—Quem ha-de gostar de vêr o innocentinho alli aos trambolhões?! Até parece que o desmancham.