E separaram-se.
No dia seguinte, á tarde, Claudio foi á rua da Cruz saber de Emilia.
Com grande surpreza, appareceu-lhe Ricardo, dizendo que a mulher estava muito incommodada desde a vespera.
Logo ao chegar a casa, fôra atacada de vomitos; desde então nunca mais a tinha deixado uma violenta dôr de cabeça.
—Até chorava, dizia o Ricardo.
Tinha querido chamar o medico, mas ella toda se exaltára com a lembrança, dizendo que isso ainda lhe fazia peior, que nunca se chamou um medico por uma dôr de cabeça e que o maior beneficio que lhe podiam fazer era deixal-a só, em paz e socego.
Claudio ficou no maior desalento. Evidentemente, tratava-se d'uma doença grave, para que Emilia não fizesse o esforço de se levantar do leito e vir vel-o quando não podia ignorar que elle ali estava. O seu primeiro impulso foi instar pela assistencia d'um medico, mas depois, reflectindo, receiava contrarial-a e aggravar o mal. Resolvia esperar mais vinte e quatro horas que antecipadamente sabia serem de agitação.
A noite foi afflictiva. A possibilidade da morte de Emilia perseguia-o como um espectro, povoando-lhe a escuridão de visões tenebrosas. O despontar do dia, porém, alliviou-o; dissipava os sonhos, parecia dar-lhe consciencia mais nitida da realidade. Não seria cousa grave! A sua imaginação é que tinha certa tendencia a representar-lhe o peior. Até poderia ser que áquella hora tudo estivesse passado! O que o preoccupava agora era determinar a hora de ir vêr Emilia.
Preferiria a tarde para não mostrar excessivo cuidado. Oh! Senhor, que vida! Não ter a liberdade de confessar os seus sentimentos, sempre em continuados temores, fugindo como um criminoso... E não o era!
Mas não podia esperar tanto. Sete horas da manhã!... Teria ainda dez horas. Impossivel. Iria depois de almoço. Que lhe importava o que podessem dizer. Ia ás occultas, porventura?...