—Sei que tem um jardim muito bonito, disse ella. Se algum dia lá passar, quero pedir a meu pae que m'o deixe vêr.

—Muita honra... e com o maior prazer. Mas nada tenho notavel; só uma collecção de rosas que não é má. N'este tempo, porém, póde dizer-se que não há rosas.

Ficava confundido com a lembrança de Laura. Que mysteriosos instinctos a attraiam á sua casa e ás suas flores, ás cousas que elle tanto amava. Ah! Se Emilia o soubesse... Tremia.

D'aquella visita voltava quasi doente, sobresaltado, um vaguear permanente, os olhos cavados, o corpo quebrado, com todos os symptomas physicos da paixão.

A fadiga era extrema; com ella veio um somno profundo de que despertou n'uma tranquillidade que ha muito desconhecia.

O que fôra? Que se passára? Porque tantas inquietações?

A indifferença vencia. Voltaria aos braços de Emilia mais firme do que nunca nos seus propositos de eterno amor.

Para que abandonal-a? Não era o dever que o instigava, não; era o egoismo, o desejo d'uma vida repousada, uma sêde de carinhos e de affectos.

Ingratidão! Tão cedo esquecia o que Emilia era para elle...

Voltasse aos seus livros, ao estudo e ás suas occupações habituaes, resignado com o destino. A felicidade dependia unicamente d'elle; era conformar-se com a natural expiação do seu erro, sacrificando humildemente ao bem alheio os seus sonhos de ventura.