«O Snr. D. Miguel conservou a Tapada real de Villa Viçosa, na mesma grandeza com que seus augustos predecessores a tiveram; a Snr.ª D. Maria manda vender as lenhas e as estevas, que todos os dias d'ahi sahem em abundancia para Borba e Villa Viçosa, e n'esta ultima terra tem um açougue publico de carne de veado e gamo, que os seus criados todos os dias matam na tapada; negoceia-se com a bolota, com as pelles dos veados, e até com os chifres!»{13}

E então, não fallam bem destravadamente estes ridiculos fanfarrões?.. Elles, os selvagens, que ainda ha poucos annos tinham mêdo d'apparecer no Porto, não estão agora, com as suas roncas, armando aos patacos dos papalvos?... E cuidaes que é um acto de valor pessoal—que é, ao menos, uma temeridade que praticam?... Nada d'isso.—Não será verdade que elles mesmos andam por ahi a dar a explicação do seu arrojo, assoalhando, com espantoso cynismo, os presentes que fazem ao snr. delgado—vangloriando-se dos bellos córtes de panno da Belgica, que lhe remettem, e dos bellos pintos, que elle lhes chucha?...

Diga-o... quem o souber—e no entanto passemos á

[SEGUNDA PARTE.]

[REFLEXÕES.]

Quem diz o que quer, ouve o que não quer. Assim reza um adagio, que, pela sua antiguidade, merece, por certo, a approvação dos escribleros do «Portugal.»{14}

«O Snr. D. Miguel—dizem elles—não póde admittir na sua companhia a Snr.ª D. Maria.»

E é verdade. Não póde—porque assim o quizeram meia duzia de sanguinarios—meia duzia d'aristocratas estupidos—meia duzia de fradalhões devassos—meia duzia d'ambiciosos e algumas duzias de scelerados, que, entre o Tio e a Sobrinha, cavaram um abysmo insondavel, precipitando n'esse abysmo o infeliz Portugal,—não o ridiculo e o infame «Portugal» de que foi editor um sapateiro demente e estuporado—de que é editor e especulador um negociante de algo-DÃO—mas este Portugal de sete seculos, esta nação que se envergonha de ter no seu seio um bando de selvagens e desavergonhados, um bando de parasytas, um bando de zangões e empalmadores.

«O Snr. D. Miguel perseguiu os ladrões e assassinos.»

Mentis, senhores da tripeça-gazetal, e mentis como perros.—O Snr. D. Miguel teve desejos de fazer punir os ladroes—mas os ladroes cercavam-no por toda a parte, e como andavam mascarados, era difficil conhecêl-os