Ign. ............. Por mim começa: Rasga-me o coração, da Esposa o sangue Seja o primeiro sangue que derrames; E se elle não bastar a saciar-te, Aos sacrilegios todos te arremeça... Que horror! Nem ouso em ti fitar meus olhos. És tu? Não, tu não és o meu Esposo; O meu Esposo detestava os crimes: Eu amava hum Consorte virtuoso; Virtudes já não tens, já te não amo. Vai, monstro sanguinario... Mas que disse? Eu deixar de te amar? Não me acredites: O terno coração desmente as vozes, Que, a meu pezar, de ouvir-te horrorisada, Sem tino proferi... Olha o meu pranto.(27) Abatida a teus pés, co'elles me abraço... Ou tu has de ceder aos meus lamentos, Ou ver-me aqui morrer, e aos pés calcar-me.

(27) Prostra-se, e abraça-se com os pés de D. Pedro.

Ped. Oh Ceos!.. Querida Esposa.(28)

(28) Enternecido, querendo levantar D. Ignez.

Ign. ......................... Eu não te deixo, Daqui me não levanto, sem primeiro De tua alma banir as negras furias; Sem que tu me promettas obediente Ir subito cumprir as Regias ordens. Ah! se tu amas inda as minhas preces, Não has de resistir...

Ped. ................ Nem já resisto.(29) Deixar de obedecer-te, ah, quem, quem pode!.. Para a prizão já parto.(30) Amigo, vamos.(31) Poderás duvidar inda do imperio Que em meu coração tens?

(29) Levanta D. Ignez.
(30) A D. Sancho.
(31) Voltando-se para D. Ignez, e com a maior ternura.

Ign. .................. Oh Deos! Conforto!(32) Não me retalhes mais o peito afflicto.(33) Á trémula razão ceda a ternura; Não te demores mais...

(32) Voltando-se ternissimamente.
(33) Affectando tranquillidade.

Ped. ................ Mas tu...