Af. Longe de nós lembrança tão funesta. O Principe vai pôr em liberdade: Que me venha abraçar; Ignez he sua.
Sanc. Que jubilo!(53) Ah Senhor! Deixa que eu banhe Tua mão generosa com meu pranto, Suave pranto, que o prazer me arranca.(54) Eu vou... Sim; a alegria azas m'empresta: Vou levar a D.. Pedro a feliz nova, Restituir-lhe vou a paz, e a vida.
(53) Prostra-se, e beija a mão do Rei.
(54) Levanta-se.
Scena V.
D. Affonso.
Oh mil vezes feliz todo o que pode Venturosos fazer os desgraçados!.. Desafogado o coração já sinto... Hum Rei sómente he Rei quando perdoa. Minha alma d'antemão já saborêa O jubilo de Ignez, e de meu filho, D'hum, e d'outro os abraços, os transportes, A innocente alegria de meus netos... Delicia dos mortaes, oh Natureza! Cedão ás tuas leis as mais leis todas.
Scena VI.
D. Affonso, e o Embaixador.
Emb. Condoido, Senhor, da infeliz Castro, Releva que eu me atreva a supplicar-te, Que a decretada morte lhe perdoes: Eu sei que a teu pezar foi condemnada, Satisfação que dás ao meu Monarcha, Quando elle certamente, persuadido Da tua fidelissima amizade, Não quererá, Senhor, que lha confirmes Com o sangue de Ignez, que inda he seu sangue, Atrevo-me em seu nome assegurar-to, Rogando-te pratiques generoso, A piedade que he propria da tua alma.
Af. Muito folgo de ver teus sentimentos Tão conformes aos meus; sim, eu espero, Que o teu Rei me não culpe de piedoso, A Ignez já perdoei; fiz mais ainda; Reconheci-a de meu filho Esposa. Não me atrevo a romper o nó sagrado, Em que Hymenêo, e Amor os enlaçava, Ignorado por mim, quando sincero O Tratado firmei, que promettia Com Beatriz de meu Filho os Desposorios, Deves pois ao teu Rei fazer sciente, Das razões poderosas que os estorvão; E por mim segurar-lhe ao mesmo tempo Constante, inalteravel amizade.