8 Calvario. Era certa moeda de ouro de 22 quilates, e tambem chamavaõ cruzados, que mandou lavrar ElRey D. Joaõ III. com o valor de quatrocentos reis, que depois subio a seiscentos reis. Tinha de huma parte a Cruz sobre o monte Calvario, que daqui tomou o nome, com a letra em roda: In hoc signo vinces: da outra banda o escudo Real coroado, e a letra: Joann. III. Port. & Algarb. R. D. Guin.
9 Ceitil. Mandou lavrar esta moeda de cobre ElRey D. Joaõ I., ou na occasiaõ em que tomou a Cidade de Ceuta aos Mouros, como dizem alguns Authores, ou porque era cada dinheiro destes a sexta parte de hum real de cobre, e por isso ceitil he o mesmo, que sextil, e esta nos parece a mais verdadeira deducçaõ. Lavraraõ-na os Reys successores até ElRey D. Sebastiaõ.[332]
10 Conceiçaõ. Esta moeda mandou lavrar ElRey D. Joaõ IV. em ouro, e em prata no anno de 1648. A de ouro valia doze mil reis: tinha de huma parte a effigie da Senhora da Conceiçaõ com tres symbolos deste Mysterio por cada lado, e em circulo as letras: Tutelaris Regni: da outra parte estavaõ as armas Reaes no meyo de huma Cruz da Ordem de Christo, e na cercadura: Joannes IIII. D. G. Portugaliæ, & Algarbiæ Rex. A de prata tinha o mesmo cunho, mas era de mayor diametro, que os cruzados novos, e corria com o valor de seiscentos reis. A origem, que houve para se cunhar esta moeda, foy assim:
11 Depois que o felicissimo Rey D. Joaõ IV. fez tributario o Reino de Portugal à Conceiçaõ da Senhora em cincoenta cruzados de ouro cada anno, applicados para a sua Real Capella de Villa Viçosa, jurando, e tomando neste Mysterio a Senhora por Protectora do Reino em Cortes do anno de 1646[333] tratou logo de lhe pagar o tributo em moeda especial, e para isso mandou abrir a França hum cunho da fórma, que temos dito, o qual trouxe, e fez Antonio Ruiter, a quem se deu tres mil reis, que dispendeo com a abertura do ferro, como consta do liv. 1. do Registo da Casa da Moeda pag. 256. vers. donde inserimos, que o primeiro anno, em que ElRey fez a sobredita offerta, seria no anno de 1648, por ser este anno o que se vê expresso na sobredita moeda, a qual desde o anno de 1651 principiou a ser moeda corrente pela ley, que sahio para isso. E sem embargo de que no tom. 4. da Historia Genealogica da Casa Real pag. 287. se diga, que humas, e outras moedas corriaõ com pezo de huma onça, foy equivocaçaõ; porque da mesma ley, que vem no dito tomo a pag. 359. se vê, que as de ouro corriaõ com o pezo de doze oitavas, e valiaõ por doze mil reis; e as de prata com pezo de huma onça, e corriaõ por seis tostões: e pezo de doze oitavas he onça e meya.
12 ElRey D. Affonso VI. continuou tambem a mandar lavrar as sobreditas moedas em todo o tempo do seu governo, e da mesma sorte ElRey D. Pedro II. e nesta moeda se fazia a offerta de vinte e quatro mil reis no dia da festa da Conceiçaõ, em cujo dia trazem pendente ao pescoço os tres Officiaes, que administraõ a Casa da Senhora, huma das taes moedas. No anno porém de 1685 teve fim a fabrica destas moedas, porque desde entaõ nunca mais se lavrarão, entregando-se os referidos vinte e quatro mil reis em outra qualquer moeda para a despeza da festa de Villa Viçosa.
13 Coroa. Foy moeda de ouro, que mandou lavrar ElRey D. Duarte com o valor de 216 reis. ElRey D. Manoel tambem a mandou lavrar, e valia 120 reis: chamava-se Meya coroa. Este preço conservou até o reinado delRey D. Joaõ III. e ElRey D. Sebastiaõ.[334]
14 Cruzado. Quando o Papa Pio II. mandou a Bulla da Cruzada para a guerra santa contra os Turcos, ordenou ElRey D. Affonso V. que se lavrasse huma moeda de ouro subido de 24. quilates, e que se chamasse cruzado em reverencia da Bulla, e com o valor de 400 reis. Tinha de huma parte a Cruz de S. Jorge com a letra: Adjutorium nostrum in nomine Domini; e da outra o escudo Real com a coroa sobre a Cruz da Ordem de Aviz com estas letras: Cruzatus Alphonsi Quinti R. Manoel de Faria[335] mostra que vio huma moeda destas com differente cunho. No anno de 1561 valia cada cruzado destes 500 reis, e depois foraõ subindo ao valor de 600 reis, e deste ao de 640.[336]
15 Presentemente correm cruzados novos de ouro, que mandou lavrar ElRey D. Joaõ V. desde o anno de 1718 com o valor intrinseco de 400 reis, e na estimaçaõ commua de 480. Por Decreto de 8 de Fevereiro de 1730 mandou o mesmo Senhor que se lavrasse nas Minas quartos de escudo de ouro com o valor extrinseco de 400 reis cada hum, e intrinseco de 375 reis, tendo de huma banda o retrato delRey, e da outra na parte superior huma coroa Real, na inferior a era, em que se fabricaõ, e na circumferencia o nome delRey. A esta moeda chamamos cruzado, dos quaes já naõ ha muitos.
16 ElRey D. Joaõ IV. mandou lavrar cruzados de prata com o valor de 400 reis, e meyos cruzados com 200 reis de valia. Depois foraõ subindo até o reinado delRey D. Pedro II. que levantou os cruzados a seis tostões, e os meyos cruzados a tres tostões, mandando tambem lavrar cruzados novos de prata com o valor de 480, e meyos cruzados com o de 240, a que presentemente chamamos doze vintens, e que ainda correm nos nossos tempos.
17 Dinheiro. Foy moeda de cobre, que tinha de huma banda a Cruz da Ordem de Christo com duas estrellas, e duas meyas luas nos vaõs, e a letra A. Rex Portugaliæ: da outra parte tinha as cinco quinas com a letra: Algarbii. Valia hum ceitil menos hum decimo. Destes dinheiros faz mençaõ a Ordenaçaõ velha liv. 4. tit. 1. §. 17.