[514] Monarq. Lusit. liv. 2. c. 30.

[515] Vide Monarq. Lusit. liv. 3. cap. 10.

[516] Joaõ de Barr. na Descripçaõ do Minho cap. 3.

[517] Monarq. Lusitan. liv. 3. cap. 30.

[518] Vid. Monarq. Lusit. liv. 4. cap. 17. e 18. Vas. tom. 1. cap. 12. Resend. lib. 3. Antiquit.

[519] Veja-se a Cujac. liv. 8. cap. 25. Observ. a Vaseu tom. 1. Chron. cap. 13. Resend. lib. 3. de Antiq. Monarq. Lusit. part. 1. liv. 4. cap. 30. e liv. 5. cap. 18. 21. e 24.

CAPITULO IV.
Entrada das Nações barbaras, e dominio dos Godos.

1 Pela ambiciosa perfidia de Estelicon, ayo, e sogro do Imperador Honorio, que pertendia recahisse a coroa Imperial em seu filho Eucherio, o que naõ conseguio, se introduziraõ na Hespanha certas gentes Septentrionaes de Alemanha, chamadas Vandalos, Suevos, Alanos, e Selingos, os quaes depois de terem saqueado Roma, e destruido grande parte de França, invadiraõ nossas terras com huma expediçaõ taõ barbara, talando campos, e edificios, que igualavaõ a colera com a crueldade.[520]

2 O anno, em que se experimentou esta invasaõ, naõ he fixo na epoca dos Escritores: entre os annos de 409, e 416 de Christo sem duvida que aconteceo; mas a mayor parte dos Historiadores Hespanhoes se inclinaõ a assinar esta invasaõ na Era de Cesar 447,[521] que corresponde aos annos 409; e sendo a Cidade de Lisboa a primeira povoaçaõ nossa, que esteve a risco de ser devorada pela fereza daquelles leões, que a tinhaõ em cerco, brevemente o levantaraõ por num pequeno donativo, que os Cidadãos lhe offereceraõ; porém continuando com a mesma ferocidade, arruinaraõ outras terras da Lusitania, e o que estava sujeito ao Imperio Romano, cujo estrago foy o intuito principal, a que todos estes barbaros se encaminhavaõ.

3 Cada parcialidade destas gentes tinha seu Rey, a que obedeciaõ; e por naõ se confundirem nesta assolaçaõ, os Vandalos, e Selingos com o seu Rey Gunderico, ou Mondigelesio, occuparaõ Andaluzia, que delles adquirio nome: os Alanos, e Suevos com os seus Reys Resplandiano, e Hermenerico possuiraõ a Lusitania, e Galiza, ficando Asturias, e Biscaya permanecendo na sujeiçaõ Romana.[522]