31 Almaceda. He rio, que cerca a Villa de Sarzedas, e entra no Ocreza sempre arrebatado.
32 Almansor. Divide esta ribeira do Alentejo os limites da Freguezia de Nossa Senhora da Repreza, dos de Santa Sofia; e chegando até o termo de Montemor o Novo, onde troca o nome pelo de Canha, se esconde no Tejo perto de Benavente; deixando com a benignidade das suas aguas ferteis os pomares, e as terras por onde passa.
33 Almonda. Tem sua origem este rio na serra d’Aire, legua e meya da Villa de Torres Novas. Saõ as aguas no seu nascimento, e matriz, taõ claras, e he tanto o peixe, que se cria nellas, que ainda que o pégo he fundo, se está vendo de cima das barreiras andarem a saltar: por isso he aqui muy aprazivel a pescaria. Os Romanos acharaõ neste rio muita semelhança com o Mondego, por cuja causa lhe chamaraõ Alius munda, donde se originou com pouca corrupçaõ Almonda. Mete-se no Tejo junto do Lugar da Azinhaga, como bem o diz o Reverendo Padre Luiz Cardoso no Diccionario Geografico, emendando-me.
34 Alpiaça. He rio da Estremadura, que nasce perto da Villa de Ulme; de inverno corre arrebatado, e cria excellentes barbos, e fataças. Mete-se no Tejo.
35 Alpreade. Nasce esta ribeira na serra da Gardunha, e correndo sempre desasocegada, vay acabar no rio Ponsul, passando por quatro pontes de pedra, e fazendo trabalhar trinta e quatro azenhas, tres lagares, e hum pizaõ. Cria muitas trutas, e bordallos.
36 Alva. Este rio tem o nascimento na serra da Estrella; e fazendo logo seu caminho ao Poente por baixo de hum monte, discorrendo em algumas partes muy claro, vem cercar as Villas de Arganil, Coja, Pombeiro, Penalva, Sandomil, Villa Cova de Subavó, e S. Romaõ, onde tem duas pontes, huma chamada de Peramol, pela qual vay o caminho de Veraõ para a Covilhã, outra de cantaria lavrada, na estrada, que vay para Valezim. Pescaõ-se nelle boas bogas, trutas, lampreas, e saveis. Finalmente entrando no Mondego rico de outras ribeiras, acaba no Oceano.
37 Alvar. Nasce esta ribeira na serra de Montemel pela parte do Lugar de Covellas; e passando junto da Villa da Alfandega da Fé, vem ao Lugar de Santa Justa, donde caminhando quatro leguas, desagua na ribeira Vellarva.
38 Alvaro. No termo da Villa de Alvaro pela banda do Sul tem seu nascimento esta ribeira; que dá o nome à Villa; e passando por duas pontes de pedra, rodea o monte da Villa, e se mete no Zezere, fazendo parecer aquella povoaçaõ huma peninsula.
39 Alviella. A boa opiniaõ que fiz da Corografia Portugueza composta pelo Padre Antonio Carvalho, me obrigou seguirlhe as pizadas em muitas noticias, que delle tirey, e a elle me refiro. Entre ellas foy a maravilhosa voragem, ou sorvedouro que diz acontecer nos olhos de agua em a nascente deste rio de Alviella; mas como o Reverendo Padre Luiz Cardoso, natural de Pernes, pode examinar melhor esta particularidade, e a reconhece agora no Diccionario Geografico por fabulosa, he justo que eu nesta segunda impressaõ do meu Mappa, agradecendo-lhe a advertencia, melhore a noticia.
40 Nasce pois este rio nas vertentes da serra do Patello junto do Lugar da Louriceira, debaixo de hum grande rochedo; e logo em seu nascimento vem com abundancia de peixes, especialmente bordalos, engrossando-se com varios ribeiros até desembocar no Tejo junto ao Lugar do Reguengo. Cria outras muitas castas de peixes saborosos em todo o tempo: faz moer muitos moinhos, e lagares de azeite; e as suas ribeiras, e margens estaõ cheias de arvoredo silvestre, e frutifero, que as fazem vistosissimas. Sujeita-se porém a oito pontes; e dá abrigo a bastante caça miuda de arribaçaõ.