41 Almioso. He huma ribeira da Estremadura que nascendo pobre no Troviscal, vay desaguar caudaloso no fim da cerca dos Religiosos Capuchos da Certã. Cria muitos peixes miudos, e admitte algumas pontes. As suas margens saõ incultas por fragosas, mas entre as suas areas se acha ouro.

42 Analoura, ou Anhaloura. Nasce entre as Villas de Borba, e Villa Viçosa, rega a Villa de Veiros, e misturada com a ribeira de Fronteira, vay engrossar a de Sauzel, e entraõ ambas por Aviz, até desembocar no Sorraya.

43 Ancora. As aguas deste rio que nascem na serra de Arga, dividem o Concelho de Caminha do de Viana. Dizem que adquirira o nome, que possue, desde que ElRey Ramiro II. lançara nelle sua mulher Dona Urraca atada em huma ancora para ir mais depressa ao fundo. Authores ha que tem isto por fabula. Morre finalmente no mar junto de Caminha, onde fórma huma pequena barra com o fortim da Lagarteira.

44 Anços, antigamente Anceo. Vem da Redinha banhar a Villa de Soure, e dar nome a Villanova de Anços; e junto com outras correntes se mete no Mondego a baixo de Coimbra.

45 Aravil. Nasce junto de Castellobranco, e morre no Tejo. Pelo Inverno corre arrebatado, e no Veraõ secca. He constante levar nas suas correntes algum ouro, e por isso procurado de gandaeiros.

46 Arcaõ. Nasce no celebre olho de agua Borbolegaõ na Villa de Grandola, e se mete no Sado acima de Alcacer.

47 Ardila, ou Ardita. He huma ribeira furiosa da Villa de Moura. Fazem-na opulenta as enchentes das ribeiras Brunhos, e Lavandeira. Desemboca no Guadiana, passando primeiro pela Villa de Noudar, que a deixa quasi reduzida a Ilha, juntando-se, com a ribeira da Murtiga.

48 Arestal. He huma lagoa profunda, que fica na Beira, e na serra do seu mesmo nome. Em todo o anno lança agua para todas as partes, e faz nascer della dous ribeiros. Dizem que se communica com o mar.

49 Arunca. Nasce na ribeira de Gaya, e augmentando-se com as aguas de outras ribeiras, vay correndo até à Villa de Pombal pelo espaço de tres leguas, fertilizando de caminho muitos pomares, e quintas. Antes de se meter no Mondego, passa pelas Villas de Soure, e Villanova de Anços. No tempo de Inverno se enfurece, e corre com tanto impeto, que leva comsigo searas, e edificios. Os antigos lhe chamaraõ Tapiço.[223]

50 Asturãos. Rio do Minho, que nasce no sitio de Azevosa com muita humildade, e continuando com a mesma brandura, vay acabar no Lima, deixando de si saudades nas deliciosas, e frescas margens por onde passou.