51 Ave. Procede da serra de Agra, e de huma ribeira, a que chamaõ da Lage; e unindo-se com hum regato ao pé da serra de Cabreira, já com bastante cabedal separa o Concelho de Vieira das montanhas de Barrozo, e quatro leguas antes de entrar no Oceano, divide o Arcebispado de Braga do Bispado do Porto. Rega os Conventos de Bairaõ, e de S. Tyrso, e os campos do Lugar Celeiró. Tendo recebido abaixo de Guimarães o Vizella, ou Avizella, que passa por Pombeiro, caminha apressadamente por baixo de varias pontes muito boas, e finalmente vay sepultarse no mar por entre a Villa de Conde, e Azurara. O Padre Vasconcellos, como traductor de Duarte Nunes, o faz erradamente, como elle, nascer junto de Guimarães, como bem repara Fr. Leaõ de Santo Thomaz.[224] Em algumas partes corre com tanta doçura, e suavidade, que obrigou a cantar delle Manoel de Faria:[225]

De donde ouvindo estava o som divino,
Que faz correndo o Ave crystallino.

Todas as terras, por onde este rio passa, e vay regando, saõ deliciosas, e elle abundante de barbos muy grandes, e saborosissimos.

52 Aviz. He huma ribeira, que nasce acima de Monforte, e passando pela Villa de Fronteira, e outras terras, em que recebe varios riachos, com que se engrossa, chega à Villa de Aviz onde adquire o nome, e passa por huma ponte de boa fabrica, até ir acabar ao Tejo incorporado com o Sorraga, e Divor.

53 Azibo. Com forças medianas discorre pelos limites da Villa de Chacim, sete leguas de Moncorvo. Principia no Lugar de Podense, termo de Bragança, e depois de caminhar quasi sete leguas, vay introduzirse no rio Sabor por cima da ponte de Remondes, limite da Villa de Castro-Vicente.

54 Baça. Este rio, juntando-se com outro chamado Coa, nasce da parte Oriental de Alcobaça, e fazendo volta para o Occidente, rega por grande espaço os fertilissimos campos de Mayorca, e Abbadia, até que junto da Villa da Pederneira se mergulha no Oceano.

55 Balocas. Ribeira, que se mete no rio Alva.

56 Balsemaõ. Em distancia de quatro leguas da Cidade de Lamego nasce este rio na serra da Rosa, mas elle o naõ parece; porque tanto que póde correr, caminha furioso, rompendo, e lavrando pedras com tal estrondo, que ensurdece ainda pelo Veraõ, quando leva menos agua. Vay à ponte de Lamego, atravessando o sitio da mayor fertilidade, a que chamaõ da Ribeira, e se mergulha impetuoso no Douro juntamente com o Baroza com quem se havia communicado. Antigamente lhe chamavaõ Unguio.

57 Barcarena. Nasce esta ribeira nos limites de Bellas termo de Lisboa, e fertilizando os Lugares da Agualva, e de Laveiras, aqui se esconde no Tejo por baixo do Convento da Cartuxa. Faz trabalhar com a sua agua no sitio de Barcarena a magestosa fabrica da polvora reedificada no anno de 1729 pelo Hollandez Antonio Cremer.

58 Baroza. Nasce este rio de dous principios: hum he no monte de S. Joaõ de Tarouca, e nasce muy bravo, mordendo pedras até a ponte de Mondim, que muitas vezes derruba. Mais para baixo lhe entra outro braço, que nasce em Barcia da Serra, donde chega a Lazarim à ponte de Baroza. Baixa aos campos de Tarouca muito brando, mas com a aprasivel serenidade solapa nocivo terras, e campos muito bons, e os leva. Unido vay a Ucanha adornar a nobre ponte da Torre, muy grandiosa, e adiante lhe entra a ribeira de Salzedas, com que em fim morre no Douro.