220 Rio Tinto. Corre huma legua distante do Porto. Chama-se tinto, porque quando foy a geral destruiçaõ de Hespanha, mataraõ os Cidadãos do Porto tantos Mouros, que o sangue chegou a tingir a agua.[251] Mete-se no Douro.
221 S. Romaõ. Nasce na Freguezia de S. Martinho das Amoreiras, termo de Ourique. Corre pelas Villas de Alvalade, Garvaõ, e termo de Panoyas, até desaguar no porto delRey, termo da Villa de Alcacer do Sal.
222 Sabor. Nasce por cima do Lugar de Rabal, que fica na raya de Galiza, mas he termo de Bragança, donde dista duas leguas. Discorre sempre por altas, e alcantiladas penedias, até chegar aos confins da Villa de Castro Vicente; e depois de ter andado dezaseis leguas, e obedecer a cinco pontes, algumas de cantaria, e de perfeita arquitectura, com orgulho desagua no Douro.
223 Sacavem. Este rio, que discorre pelo Lugar de seu nome duas leguas distante de Lisboa, desemboca no Tejo, e faz huma profundissima foz, na qual podem entrar os mayores navios deste porto; e ficando quasi ao Norte da Cidade, volta contra o Noroeste, navegando-se até a Mealhada, e da sua ribeira se levantaõ huns montes, que a cultura tem feito apraziveis, os quaes se vaõ estendendo com huma larga volta contra o Poente, levando sempre ao pé hum fundo valle aberto por muitas partes com regatos, que por elle correm. Por ordem delRey D. Joaõ. V. se reformou a barca da passagem deste rio pela admiravel idéa do nosso insigne Maquinista Bento de Moura, com grande commodidade para os passageiros.
224 Sadaõ, ou Sado. O nascimento deste rio foy ignorado por Duarte Nunes na Descripçaõ de Portugal; porém Joaõ Salgado de Araujo diz, que nasce nas faldas da serra de Monchique junto à Villa de Almodovar, e passando por Ourique, recebe as ribeiras de Aivados, Gracido, Ferrarias, Campilhas, Figueira, Roxo, e Garcia menino, onde faz hum grande lago, e mais para diante outro, que chamaõ de Santa Margarida, até que copioso vay acabar em Setubal. André de Resende ignorando-lhe tambem o principio, e dando-lhe o nome de Callipode, que o tirou de Ptolomeu, diz que depois de se ajuntarem as torrentes do Enxarrama, Santa Detença, e Odivellas acima de Porto de Rey, he que se começa a chamar Sado; nome que usurpa pela demora que faz no esteiro de Alcacere, antigamente Salacia; e por naõ viver muito tempo soberbo, e desvanecido com tanto roubo, morre dahi a pouco em Setubal, formando-lhe huma grande foz, e bahia. He navegavel este rio por doze leguas até Porto de Rey; e as terras por onde passa, adornadas de muitas fontes, e arvoredos, ficaõ ferteis, e e cheias de nata para corresponderem abundantes na breve producçaõ dos seus frutos.
225 Safrins. Corre em distancia de meya legua da Villa de Ferreira, e a provê de bordalos taõ bons, que se mandaõ dar aos doentes.
226 Sarmenha. He huma ribeira, que dista do rio Douro duas leguas, e nasce nas raizes da serra do Maraõ.
227 Sarrazola. Caudalosa ribeira, que banha Benavilla, huma legua distante de Aviz.
228 Seda. Nasce esta ribeira nas serras de Portalegre, e rega a Villa, a que dá o nome.
229 Sertima. Rio, que corre pelo termo da Villa de S. Lourenço do Bairro, e que se augmenta com muitos ribeiros, que fertilizaõ o mesmo termo.