248 Teja. Provê esta ribeira de peixe a Villa de Nomaõ.
249 Tejo. Entre Escritores Gregos, e Latinos foy sempre muy celebrado o Tejo, e por isto alguns lhes daõ a primazia entre os mais rios do Reino. Nasce nas serras de Molina junto da Cidade de Cuenca: outros o fazem natural de Mancha de Aragaõ: outros das serras de Albarracin; e discorrendo pelo Reino de Castella a nova, e Provincia da Estremadura Castelhana, rega os povos de Zurita, Aranjuez, Toledo, Talavera de la Reyna, Almaraz, e Alcantara, em cujo progresso recebe as correntes de muitos rios, principalmente o Henares, Xarrama, Mançanares, e Guadarrama; e com cento e vinte leguas de jornada vem por Santarem descançar em Lisboa, fazendo na melhor Cidade o melhor porto de mundo: e se a vulgar fama dos antigos, que lhe attribuia areas de ouro,[255] nos serve sómente hoje de admiraçaõ, e naõ de experiencia, fica semelhante falta bem supprida com os avanços das copiosas riquezas, que todos os annos lhe estaõ entrando pela sua famosa barra nas opulentas frotas do Brasil.
250 E quando nem isso fora, bastava para estimaçaõ, e riqueza encerrar em si o preciosissimo thesouro do glorioso corpo de Santa Iria, sepultado debaixo de suas aguas defronte de Santarem. Duas vezes foy visto milagrosamente: a primeira, quando o tio da Santa, chamado Celio, com a mayor parte do povo de Nabancia, assim Ecclesiasticos, como seculares, o foraõ ver por permissaõ de Deos, fazendo com que se separassem as aguas, e Celio chegou a abrir o sepulchro, e tirar da Santa parte de seus cabellos, e pedaços da tunica: a segunda no anno 1324 pela Rainha Santa Isabel, e ElRey D. Diniz, em cuja occasiaõ se abriraõ tambem as aguas para dar passagem à Santa Rainha, e tempo a se fazer hum padraõ de pedra, que indica o sitio do sepulchro,[256] que o Senado de Santarem mandou aperfeiçoar no anno de 1644. Do Tejo escrevem os Authores abaixo allegados.[257]
251 Temitólas. Nasce em Lumiares, e pela Villa de Armamar se vay direito ao Douro.
252 Tera. Tem seu nascimento na serra d’Ossa naquella parte, que olha para Estremoz, e corre junto da Villa de Pavía: tem ponte, por onde se vay para Aviz, e paga seu tributo ao Guadiana.
253 Terena. Esta ribeira he a mesma que a Lucefece: dá nome a huma Villa, e mete-se no Guadiana.
254 Tinhella. Nas serras de Carrezedo de Monte-Negro, termo da Villa de Chaves, tem este rio o seu berço. Fertiliza a Villa de Murça de Panoya, e depois de caminhar oito leguas vay desaguar no Tua.
255 Tourões. Esta ribeira nasce perto do Lugar de S. Pedro do Rio Seco, termo da Villa de Almeida; e vindo separando o Reino de Leaõ, entra no Agueda abaixo de Escarigo.
256 Trancaõ. He huma ribeira no termo de Lisboa, que passando pelo Milharado, Sapataria, e Bussellas, vem regar, e fertilizar a grande quinta dos Conegos Regulares de S. Vicente acima do Tojal, entrando-lhe pelo meyo della; e correndo por penedias furioso no tempo de Inverno vay buscar Unhos para morrer no Tejo; fazendo primeiro trabalhar muitas azenhas, e lagares com as suas correntes precipitadas.
257 Trogalha. Corre entre Sarzedas, e Castellobranco, e entra no Tejo.