277 Vouga. Assinaõ o nascimento deste rio na fonte da Senhora da Lapa, ou na serra de Alcoba. Daqui vem descendo ao Mosteiro de S. Bento, que ha em Ferreira de Aves, pela parte do Poente; rega muitos Lugares, até que misturado com os rios Sul, e Agueda, entra em Aveiro com bastante soberba, segundo diz Fr. Joaõ Felix na Isagoge:
Amnibus innumeris, Agathoque superbus in æquor
Piscoso latè gurgite Vacca fluit.
Tem huma grandiosa ponte, acabada no anno de 1713 por ordem do Fidelissimo Rey D. Joaõ V.
278 Xever, Xevera, Xeverete, e Xola. Saõ ribeiras, que procedem da serra de Portalegre.
279 Xudruro. Ribeiro, que nasce na fonte Freja do Concelho do Guardaõ, e fertiliza muito o Lugar de Janardo.
280 Zacharias. Com este nome corre huma ribeira pelo termo da Villa de Alfandega da Fé sujeita a huma ponte de quatro arcos, e tem seu nascimento na serra de Sambade, que outros chamaõ de Montemel. Tendo corrido seis leguas, vay acabar no rio Sabor junto do Lugar dos Picões.
281 Zezere. A este rio chama Camões caudaloso, e na verdade o he com as enchentes de outros, que entraõ nelle. Nasce na serra da Estrella sobre a Villa de Manteigas pela parte de Levante; e dando volta ao Poente, recebendo varios rios, e ribeiros, enfadado da jornada se vay a Sudoeste, e se torna para o Sul receber outros riachos, e dá entrada ao Nabaõ, que com o ribeiro da Cortiça, e regatos daquelles montes fertiliza Thomar. Na Aldea da Mata se deixa atravessar com a barca da Esteveira: e pela famosa ponte do Cabril, que faz a divisaõ dos termos de Pedrogaõ grande, e pequeno. Vay finalmente acabar em Punhete, mergulhando-se no Tejo com tanto impeto, que na distancia de mil e quinhentos passos ainda conserva a mesma cor azul, e sabor doce das suas aguas, como bem advertem Resende, e outros.
NOTAS DE RODAPÉ:
[221] Monarq. Lusit. tom 1. liv. 4. c. 8. Vasconcel. lib. 5. de Ebor. Municip.
[222] Strab. apud Resend. lib. 2. de Antiquit. tit. de Flumin. Duart. Nun. Descripç. de Port. cap. 21.