O que hão de rir os ganhões com as historias novas que elle traz do quartel!
Quasi ao chegar á villa, ao pé da volta da estrada, um nadinha para baixo, á direita, é a fonte. Quando ali se chega, grita-se chó! aos burros, pára-se um bocado a conversar e contende-se com as raparigas que passam de bilhas á cabeça, bem aprumadas, de ancas fortes e caras sadias, com uns fios de dentes, que o pão de centeio torna muito brancos, como folhinhas de malmequeres, e que ellas gostam muito de mostrar, abrindo em grandes risos, por qualquer dichote amavel, as boccas muito vermelhas, mais frescas e perfumadas que uma ginja.
Aquelle bocado de tempo era sempre o melhor do dia.
E, ao pensar na fonte, alargou o passo.{5}
É coisa aborrecida estar de sentinella duas horas, uma noite de inverno. E a agua pela valeta a correr, barrenta, cheia de espuma, precipitando-se na sargeta, com uma bulha muito triste, muito monotona, tão differente do estrepito das ribeiras quebrando as aguas nos rochedos das voltas!
Elle pensava na fonte e nos taes labios vermelhos. E o tempo assim lá passava mais depressa.
Um outro, ás vezes, tão triste como elle talvez, gritava-lhe de uma guarita perdida na treva:
—Sentinella, álérta!
E elle respondia, engrossando a voz:
—Álérta está!... Sentinella álérta!