Os primeiros dias foram horriveis para o Conde. Sentia um vacuo enorme n'aquella casa, havia pouco tão cheia ainda. Depois a{57} dôr foi abrandando pouco a pouco, e o Conde voltou aos habitos antigos. Tinha mais um sentimento no coração: a esperança.

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Uma tarde chegou uma carta que dizia:

«Meu caro pae, vou bem, vou muito bem. Pelo proximo paquete espero poder enviar-lhe cem mil réis, quantia que continuarei a mandar todos os mezes.»

O Conde procurou paquete no diccionario de Moraes, mas achou a palavra comida pela traça.

O José chorava de alegria e n'aquella noite deitou duas taboas no lume, acceitou um copo de vinho ao João Pereira, e, quando acabou o terço, disse para o Conde, com quem o resára em voz alta:

—Para que se realise o que sr. D. Carlos nos promette: Salve, Rainha.{58}

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E passou-se mez e meio e o Conde dizia:

—O que será paquete?