Não havia sitio melhor para descançar um bocado.
No fardel trazia um pedaço de pão e o conducto, meia duzia de azeitonas e um queijinho pequeno.
É comer! E, se nos der o somno, dorme-se uma sésta até que abrande o calor!
Saiu da estrada galgando a parede e encaminhou-se para a fonte, pondo em fuga as cotovias, muito mansas, muito alegres, que saltitavam nas pedras, emquanto muito{8} alto, parecendo pontos negros no azul do ceu, umas poucas de aguias descreviam curvas enormes, com a mira n'um burro morto, que apodrecia entre os rochedos.
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Quando accordou, já o sol descera muito; o vento tinha virado para o norte e algum tanto abrandára o calor.
Do outro lado do cabeço ouvia-se um som de chocalhinhos. Eram as cabras da viuva, que andavam pastando. No alto, d'onde a propriedade se descobria quasi toda, um pastorito de dez annos, deitado sobre as pedras, com o chapéo de abas largas, todo roto, a servir-lhe de travesseiro, fazia dançar um bogalho na ponta esmagada de uma palha de centeio, por onde soprava.
Sensibilisou-o tal recordação da infancia, que ali passára como aquelle pequeno.
—Adeus, ó cachopinho! gritou.{9}
—Saude! respondeu o pequeno.