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Os porteiros, cada um á sua porta a receberem os bilhetes, cantarolavam os bocejos e assoavam-se com estrondo para espertar. O theatro continuava ás escuras.

Um homem gordo entrou devagar, com as mãos nas algibeiras do collete, assobiando por entre dentes. Sentou-se, deitou as pernas para cima da cadeira que lhe ficava defronte, poz o lenço entre o pescoço e o collarinho, e, tirando um palito da algibeira, poz-se a espalitar os dentes, com um ar massado.

Duas ou tres filas mais adiante, um outro abanava-se pachorrentamente com o chapeu, virando um bocadinho a cara para lhe ir o fresco ás orelhas.

Conheciam-se e começaram conversando em voz alta:

—Olá, Conselheiro! Então tambem deitou até cá?

O homem gordo encolheu os hombros.{118}

—Não ha mais nada que fazer!

E depois de espalitar um bocado:

—Que isto cheira-me a fiasco.