(Estremecendo.) Minha mãe...
D. GONTRADE
Estás aqui, Mendo, longe das festas, triste e só? Tens razão, filho; porque não pódes, não deves ter nem alegria nem descanço, em quanto não tirares vingança do assassino de teu pai.
D. MENDO
Que dizeis, minha mãe? meu pai morreu assassinado, já vol-o ouvi dizer; mas quem o matou é o que eu não sei ainda.
D. GONTRADE
Mendo, até ao dia em que ganhaste—gloriosamente, bem o sei—essa nobre espada, não eras mais do que um pagem, uma criança. Esse tempo passou: tens já um nome de cavalleiro que teu pai tornou illustre, e que tu deves conservar puro e sem mancha. Mendo Paes, o teu nome está deshonrado. A mão de um homem desleal manchou-lhe a pureza, deslustrou-lhe a nobreza. D. Paio Ramires teu pai, foi assassinado, covardemente assassinado; e o seu assassino vive ainda!... Ficas assim calado?!... Não se te revolvem lá dentro os desejos da vingança? Meu filho, enganar-me-hia a esperança? Não serás tu digno de teu pai?
D. MENDO
(Com terror.) Quero-vos muito, minha mãe. Esta vingança, porém, faz-me susto. Não sei que pressentimento me diz que esta vingança me hade matar a mim tambem.