A honra do nosso nome, e a memoria de teu pai pedem vingança! (Dando o punhal a D. Mendo, que o recebe com terror) Vinga a morte de teu pai, ou sê maldicto! (Sáe.)
SCENA VI
D. Mendo, só
D. MENDO
Meu pai, meu pai, levantae-vos do sepulchro e perdoai... que me salvaes, que salvaes vosso filho! (Olhando para o punhal.) Este sangue ha de ser lavado com outro sangue?! Assim o exige a honra de uma familia nobre!... Meu pai, se vos basta o sangue de um homem, dar-vos-hei todo o meu! (Chorando.) Se as lagrimas de um filho podem lavar a nodoa tremenda d'este ferro, derramarei o meu pranto sobre elle em quanto viver!... A vingança dura pois mais do que a vida?! O espirito depois de separado da terra, não perdôa, não esquece tudo?! Pois n'esse mundo mysterioso e todo espiritual, para aonde as almas vão depois da morte, tambem ha estas ruins paixões, que teem feito da humanidade um bando de feras? Essas paixões duram a eternidade? Onde está o descanço, aonde está a paz? Onde existe o ceu?—Ai! Quem me livra deste martyrio? Quem salva a minha honra? Quem dá força á minha alma, para que se não perca... para que não renegue a Deus?!
SCENA VII
D. Mendo e Fr. Bermudo
FR. BERMUDO
Tira da fé a tua força, e não renegarás a Deus. A desgraça é difficil de supportar; e quando pela primeira vez ella nos entra no coração, parece-nos impossivel que o coração a possa conter, que o coração não estale.